A reutilização do espaço deve dar lugar a uma praça pública, porém há pedidos de revisão do projeto.
Com mais de meio século, os Edifícios São Vito e Mercúrio começaram a ser demolidos no dia 3 de setembro. A prefeitura deu início á obra após seis anos do anúncio do projeto de reforma no governo de Marta Suplicy (PT).
Localizados na Avenida do Estado, no centro de São Paulo, os prédios foram desocupados em 2004, porém nesse período foi invadido por moradores de rua e viti- ma de mutirões que visavam à mudança do plano. Agora plenamente desabitado, um cercado de madeira protege o quarteirão dos transeuntes.
“O cercado não impede o acesso dos moradores de ruas aos prédios”. Sempre tem gente dormindo lá de noite, a pouca movimentação colabo- ra para que isso ocorra” explica Alexandre Gonçalves Dias, 16 anos, estudante e morador da região.
A obra deve terminar em fevereiro do ano que vem, segundo estimativa da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras, porém a reutilização do espaço ainda causa polêmica entre a população da região e os órgãos públicos.
A área que deve dar lugar a uma praça com estacionamento subterrâneo,
ligando o Mercado Municipal ao Palácio das Indústrias, faz parte de uma Zeis (Zonas de Interesse Social), o que impede que o local seja utilizado para fins que não sejam de caráter social.
A prefeitura e a defensoria pública, que entrou com uma ação civil pedindo para transformar os edifícios em moradias populares, estão em disputa para a futura finalidade da área.
O Edifício Mercúrio é um gigante de 24 andares e 140 apartamentos que é vizinho do outro famoso, o São Vito, que abrigava 3,5 mil moradores em 624 quitinetes, distribuídas em 24 andares com alugueis bem abaixo da media e apartamento que custavam de R$ 3.000,00 a R$ 4.000,00.
“A reforma desses prédios em moradias populares vai resultar em uma superlotação, tudo voltará a ser como antes”, acrescenta seu José Carbone da Silva, 47 anos, comerciante próximo da região: “Os edifícios não devem sofrer uma reforma, a demolição é certa e sou a favor da construção de uma praça”, explica ele.
Símbolos de degradação no centro de São Paulo, os prédios construídos no momento de verticalização da cidade despertam opiniões divergentes na região. Para Maria Augusta Nascimento, 45 anos, garçonete do Mercado Municipal, os edifícios deveriam ser reformados para a habitação de pessoas carentes: “É falta de bom senso, tanta gente sem casa, passando fome e a prefeitura pensando em construir mais praças".
* Foto: Edifício Mercúrio já em processo avançado na demolição.
Nenhum comentário:
Postar um comentário