"Ver a cidade como se estivesse de passagem me encanta”
E é assim que Paulo Cesar de Araújo,46, se refere ao seu oficio. Na entrevista ele fala sobre a visão de um taxista sobre a cidade de São Paulo e passageiros.
Daniela – Como foi sua primeira experiência no volante?
Paulo – Foi como todo adolescente. Tirei a carteira de motorista, mas como boa parte dos jovens deixei encostada até que tivesse um veiculo. Consegui o primeiro em 1978, uma moto ano 76/77, e depois a troquei em 1986 por um carro, um Passat 79/80. Logo nasceu uma paixão por carros.
D – Por gostar de carros, foi o fator determinante para a escolha da profissão?
P- Comecei em março de 2002. O início me assustou bastante,logo com um mês,fui assaltado e nove meses depois também. Depois disso, fiquei com um certo “trauma”, com medo a cada passageiro que entrava no carro.
D – E como foram essas experiências?
P – O primeiro assalto foi em 13/03/2002. Guardo essa data, pois foi a mais traumatizante. Peguei dois passageiros, provavelmente de alguma balada, a corrida começou na Avenida Rio Branco, o assalto foi anunciado na Rodovia Fernão Dias e eles queriam que eu os levasse para alguma “quebrada”, entrei em desespero e sai do carro, procurando fugir. Foi a pior coisa que fiz e ainda esqueci a chave no carro, eles começaram a me seguir em alta velocidade para me atropelar. Vi um barranco e o desci rolando, tentando despista-los. Após conseguir, fui a pé até um ponto de ônibus. Depois de muito andar até a frota avisar o que havia acontecido, pagar a diária e torcer para o carro reaparecer. Alguns dias depois ele reapareceu e voltei a rotina, bem assustado. Já o segundo assalto, aconteceu em uma corrida de dia. Peguei um casal em Santana e ao final da corrida na Vila Matilde anunciaram o assalto, pegaram todo o dinheiro e foram embora.
D – Pensou em desistir da profissão?
P – Sinceramente, sim! Histórias de colegas e as minhas experiencias me fizeram refletir um pouco, mas achei cedo desistir. Todas as profissões têm risco e aos poucos fui criando gosto ofício. Daí resolvi investir em mim e com o dinheiro
D – E quando surgiu a oportunidade de realizá-lo?
P - Foi quando dei entrada no alvará que a Prefeitura de São Paulo concede para alguns taxistas gratuitamente e com alguns meses consegui. Esse alvará que é uma licença de ponto para trabalhar, normalmente custa dependendo da localização do ponto a trabalhar entre R$ 18.000,00 a R$ 45.000,00. Agora já com a licença, comprei um Palio 2004 e a partir daí tive que fazer minha clientela e pude fazer meus horários. Hoje, que troquei por um do ano com ar condicionado e acessibilidade para deficientes físicos, possibilitando a entrada de cadeira de rodas.
D – O que tem a dizer para quem pretende ser taxista?
P – Olha é preciso disposição, coragem e força de vontade. É imprevisível saber o que irá acontecer com você estando vulnerável e tão acessível as pessoas, mas com o tempo aprende-se a ter uma certa malicia, que só a experiencia e vivenciando situações terá.
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